quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Suave e Seguro

"Toma sempre as coisas pelo lado mais suave e seguro. Pensa bem antes de dar conselhos e esteja sempre pronto a seguir. Fala bem dos teus amigos; e do teu inimigo não fales nem bem nem mal. A resposta suave e humilde quebranta a ira, as palavras duras excitam o furor."

#SantoAntônioMariaClaret

Marcados por Deus - São francisco de Assis

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Aprenda a rezar

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➖APRENDA A REZAR➖

📃Descubra a sua forma de rezar e como deve ser sua oração.

A oração é a forma de dialogar com Deus.

Cada pessoa passa por momentos particulares na vida, e cada uma segue seu ritmo. O importante é descobrir também o próprio ritmo de oração, fazer do encontro com Deus um encontro personalizado. O Senhor não é uma ideia nem uma energia impessoal, como o calor do sol ou a brisa do vento. Ele é uma pessoa viva e verdadeira com quem podemos e devemos dialogar. É necessário tratá-Lo como o melhor amigo que temos e recebe-Lo dentro de nós numa atitude de acolhida, preparar para Ele um espaço na nossa vida. Os hóspedes sempre devem ser recebidos bem. Devemos acolher a Deus e ter consciência de que Ele tem um único desejo: amar-nos e fazer a nossa vontade.

Santa Terezinha é um modelo de oração. Ela diz: “nunca passei mais de três minutos sem pensar em Deus!”

📃Como devo rezar?

Gostaria de poder apresentar algumas indicações de, ao rezar, deixar a liberdade de ampliar sua oração como mais lhe agradar. Nenhum caminho pode ser estático, ele deve ser dinâmico, aberto para introduzir outras motivações e tirar algumas que, em determinado momento, já não nos dizem mais nada. Nós mudamos muito. Não seria conveniente usar, no inverno, roupa de verão; nem no verão, roupa de frio. Nossa oração deve corresponder às exigências que encontramos no caminho da vida.

Antes de iniciar a sua oração, faça silêncio dentro e fora de você, para perceber o impulso da sua vida interior. Do que você necessita hoje? Como quer viver o tempo que o Senhor lhe dá.

O seu encontro com Deus não pode ser um instante fugaz e rápido, mas constante e permanente. Da sua situação humana, afetiva, psicológica e social vai depender também o seu modo de rezar, de pedir e dialogar com Deus. Há pessoas que rezam sempre a mesma oração pedindo chuva, mesmo quando há enchente que atrapalha tudo e provoca desastres. Justificam-se na maneira de rezar: “Em algum lugar do mundo devem existir lugares que precisam de chuva!”. A oração tem um caráter universal, mas Jesus nos ensinou, em várias circunstâncias, a historicizar a nossa oração, fazê-la nascer da vida concreta, do dia a dia.

📃Sinta a presença de Deus nas orações

Já foi dito, várias vezes, que a oração não pode ser restrita a momentos particulares. É a vida que deve tornar-se oração, devemos colocar-nos continuamente na presença de Deus, que orienta e sustenta o nosso caminho. É importante ter sempre à nossa frente a Bíblia, e acompanhar, por meio de sua leitura meditativa, a história do povo que vai a caminho de terra prometida, percorrendo noites, desertos, até chegar à conclusão de que a felicidade que Deus oferece não é a de situações baratas, ela exige de nós constantes renúncias, um saber dizer não a tudo o que nos afasta de Deus e assumir a verdade como único caminho.

O ser humano, na sua caminhada sobre a Terra, depara com aquelas situações obscuras que tornam impossível continuar o caminho sozinho. É preciso Deus. Sem Ele, não há uma visão completa e harmoniosa da existência humana. Muitas vezes, encontramo-nos em situações em que nos sentimos tão pobres, que necessitamos de Deus como a terra precisa de água para viver; as plantas, do sol; e a vida, de amor.

Na verdade, só Deus é força. Precisamos nos convencer de que só Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – é a fonte de nossa felicidade, e só Ele pode mudar, como diz o salmista, a sorte de nossa vida.

O caminho depende de nossa fidelidade e amor. Deus sozinho não age, precisa de nossa cooperação, do nosso sim.

Frei Patrício Sciadini
Artigo extraído do livro “Quando rezar?”

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Testemunho de experiência vocacional na Cartuxa


"Certamente ter a vocação para este rígido estilo de vida é uma coisa magnífica"

Oferecemo-vos esta carta de um jovem que teve a coragem de experimentar a vida consagrada para melhor discernir a sua vocação, com o objetivo de aproximar-vos à simplicidade da vida monástica e encorajar-vos a persistir na busca do vosso lugar no coração da Igreja.
“Realizei a experiência de viver 15 dias no interior da Cartuxa Argentina de São José em Dean Funes, certamente um viver a espiritualidade mística muito forte. A vida cartusiana é muito especial, o viver em solidão quase todas as 24 horas do dia diante de Deus e para si mesmo na solidão e no silêncio é uma experiência inesquecível.
Após chegar à cartuxa, eu fui recebido e acolhido pelo Prior, o qual me conduziu à cela porque eu tinha escolhido a vida de sacerdócio pela qual se pretende viver essencialmente no isolamento da cela. Depois de ter atravessado o claustro chegamos à cela destinada a mim, ele me descreveu os horários e os compromissos do dia: rezar, ir à igreja, pegar a refeição e o momento de dormir.
Assim que eu fiquei sozinho, ocupei-me em trocar de roupa e organizar os meus objetos pessoais no banheiro e no criado-mudo. Após ter completado estas formalidades ordinárias, comecei a me perguntar: E agora? O que faço? Creio que seja a pergunta mais óbvia que se fazem todos aqueles que se encontraram e que se encontrarão na minha situação. No silêncio total e absoluto optei por agradecer a Deus por ter me dado a oportunidade de estar naquele lugar naquele momento. Então eu comecei a apreciar a cela com o genuflexório, em seguida preparei para mim o chá e comecei a ler os Estatutos da Ordem.
Cada hora que passava o ambiente ao meu redor parecia mais familiar e me coloquei à espera da visita de um irmão converso, que como me tinha anunciado o Prior, viria à minha cela para me ensinar a confeccionar livros. A espera foi em vão, porque não pretendiam me fazer cansar, permitindo-me repousar da viagem que fiz para chegar na cartuxa.
Em relação aos tempos de oração, são intensos. De fato são diferentes da liturgia das horas comum que podemos rezar na nossa casa, eles dividiram o Saltério em dois e se percebe um modo especial de viver a oração. Vigílias de oração comunitária e outras horas que se recitam na Capela fazem perceber a comunidade como uma família recolhida em oração ao nosso Pai, elevando para o Seu louvor orações e salmos. O tom dos cantos é muito lento, ‘mastigando’ devagar cada palavra o som se torna penetrante para o coração.
A Santa Missa na qual participei é uma experiência realmente única. É quase completamente silenciosa, se fala muito pouco, mas não é mais um Sacrifício sobre o altar de cada um dos irmãos e dos padres do mosteiro. Na realidade, para mim, a Missa é a melhor parte do dia.
Sobre o trabalho na cela, cada um trabalha no próprio jardim, na carpintaria ou no balcão para a encadernação. Certamente ter a vocação para este rígido estilo de vida é uma coisa magnífica, mas precisa ter uma força mental e uma propensão à espiritualidade a ser cultivada diariamente.
Existem enormes dificuldades a superar, como enfrentar a solidão que nos induz à incertezas nas quais só Deus poderá estar perto de nós e nos fazer entender que tudo é possível, mas somente se o queremos verdadeiramente. Cada tipo de vida religiosa tem os seus problemas e não precisa ficar com medo do rigor cartusiano ou da alimentação essencial e privada de carne.
Portanto, quem escreve esta carta, que eu sei será publicada e, então, lida por muitos jovens fascinados pela vida cartusiana, vos encoraja a continuar a buscar e esperar um chamado vocacional. É necessário ser corajosos e convictos, contactar o próprio diretor espiritual ou a cartuxa na qual gostaria de tentar fazer uma experiência.
Deus vos abençoe e São Bruno possa guiar-vos no caminho da santidade”.

Via: https://cartusialover.wordpress.com/ “Tudo sobre o Universo Cartusiano”

Jovem judeu, ele virou monge cartuxo graças ao comentário de um professor católico


O nível de convicção do professor Dietrich von Hildebrand a respeito da sua fé católica teve um impacto surpreendente

O testemunho apresentado a seguir é da Dra. Alice von Hildebrand, esposa do professor Dietrich von Hildebrand, a quem o Papa Pio XII chegou a chamar de “Doutor da Igreja do século XX”.
Relata ela:
Em 1946, depois da Segunda Grande Guerra, o meu marido lecionava na Universidade de Fordham quando apareceu nas suas aulas um estudante judeu, que tinha sido oficial da Marinha durante a guerra. Um dia, ele confidenciou ao meu marido o quanto era belo o pôr-do-sol no Oceano Pacífico e como aquilo o tinha levado à busca da verdade sobre Deus.
Esse jovem tinha decidido entrar na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, para estudar filosofia, mas logo percebeu que não era isso o que realmente procurava. Um amigo lhe sugeriu então que fosse estudar filosofia em Fordham e mencionou o nome de Dietrich von Hildebrand.
Depois da primeira aula com o meu marido, ele soube que tinha encontrado o que procurava.
Um dia, depois das aulas, meu marido e o estudante foram dar um passeio a pé. O jovem lhe disse que estava surpreso com o fato de vários professores terem lhe afirmado que não tentariam convertê-lo ao catolicismo, sabendo que ele era judeu.
Estupefato, o meu marido parou, virou-se para ele e perguntou:
– Eles disseram o quê?!
O estudante repetiu a história. Meu marido respondeu:
– Pois eu iria até o fim do mundo e viria de volta para você se tornar católico!“.
É muito difícil medir o impacto que esse testemunho de convicção do professor a respeito da sua fé católica possa ter tido no jovem, mas não erraria por muito quem dissesse que o impacto foi grande…
Afinal, não passou muito tempo até que aquele jovem judeu não apenas se convertesse ao catolicismo, mas ainda se tornasse monge na cartuxa de Vermont, a única existente nos Estados Unidos, e, alguns anos depois, fosse ordenado sacerdote.

https://pt.aleteia.org/2017/03/16/jovem-judeu-ele-virou-monge-cartuxo-gracas-ao-comentario-de-um-professor-catolico/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

domingo, 21 de maio de 2017

Impressão das Chagas de São Francisco: o sentido e o significado

 

São Francisco não contentou-se em unicamente seguir o Cristo. No seu encantamento com a pessoa do Filho de Deus, assemelhou-se e configurou-se com Ele.

 No dia 17 de setembro a Família Franciscana celebra, em todo o mundo, a festa da impressão das Chagas, também chamada de Estigmas de São Francisco de Assis. Veiculamos a seguir um artigo do Frei Régis G. Ribeiro Daher, publicado hoje no website Franciscanos:

Mais do que desvendar o caráter histórico das Chagas de São Francisco, importa refletir sobre a experiência de vida que se esconde sobre este fato. O que significa a expressão de Celano “levava a cruz enraizada em seu coração”? O que isso significou para o próprio Francisco? Há um significado para nós hoje, naquilo que com ele ocorreu?
Um erro comum é o de ver São Francisco como uma figura acabada, pronta, sem olhar para a caminhada que ele fez até chegar à semelhança perfeita (configuração) com o Cristo. O que ocorreu no Monte Alverne é o cume de toda uma vida, de uma busca incessante de Francisco em “seguir as pegadas de Jesus Cristo”. Francisco lançou-se numa aventura, sem tréguas, na qual deu tudo de si: a vontade, a inteligência e o amor. As chagas significam que Deus é Senhor de sua vida. Deus encontrou nele a plena abertura e a máxima liberdade para sua presença.
O segundo significado das chagas é o de que Deus não é alienação para o ser humano, ao contrário, é sua plena realização e salvação. Colocando-se como centro da própria vida é que o homem se aliena e se destrói; torna-se absurdo para si mesmo no fechamento do seu ‘ego’. O homem só encontra sua verdadeira identidade, sua própria consistência e o sentido de sua existência em Deus. E Francisco fez esta descoberta: Jesus Cristo foi crucificado em razão de seu amor pela humanidade – “amou-os até o fim” – , e ele percorre este mesmo caminho.
O terceiro significado: as chagas expressam que a vivência concreta do amor deixa marcas. A exemplo de Cristo, Francisco quis suportar/carregar e amar os irmãos para além do bem e do mal (amor incondicional). Essa atitude o levou a respeitar e acolher o ‘negativo’ dos outros mantendo a fraternidade apesar das divisões. Esse acolher e integrar o negativo da vida é a única forma de vencer o ‘diabólico’, rompendo com o farisaísmo e a autosuficiência, aniquilando o mal na própria carne. Só assim, o homem é de fato livre, porque não apenas suporta, mas ama e abraça o negativo que está em si e nos outros.
O quarto significado: seguir o Cristo implica em morrer um pouco a cada dia: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz a cada dia e me siga” (Lc 9,23). Não vivemos num mundo que queremos, mas naquele que nos é imposto. Não fazemos tudo o que desejamos, mas aquilo que é possível e permitido. Somos chamados a viver alegremente mesmo com aquilo que nos incomoda, vencendo-se a si mesmo e integrando o ‘negativo’, de modo que ele seja superado. Nós seremos nós mesmos na mesma medida em que formos capazes de assumir nossa cruz. As chagas de São Francisco são as chagas de Cristo, e elas nos desafiam: ninguém pode conservar-se neutro, sem resposta diante da vida.
São Francisco não contentou-se em unicamente seguir o Cristo. No seu encantamento com a pessoa do Filho de Deus, assemelhou-se e configurou-se com Ele. Este seu modo de viver está expresso na “perfeita alegria”, tema central da espiritualidade franciscana: “Acima de todos os dons e graças do Espírito Santo, está o de vencer-se a si mesmo, porque dos todos outros dons não podemos nos gloriar, mas na cruz da tribulação de cada sofrimento nós podemos nos gloriar porque isso é nosso”.

https://pt.aleteia.org/2013/09/17/impressao-das-chagas-de-sao-francisco-o-sentido-e-o-significado/

 


Franciscanos: como viver a pobreza hoje

 

O exemplo de pobreza de São Francisco para um estilo de vida sóbrio

O que é a pobreza hoje? Conversamos com dois padres franciscanos, que nos ajudam a entender o tema de uma vida cristã pobre, em todas as suas formas. "Se tivéssemos que delinear a pobreza de São Francisco hoje – disse nesta entrevista o Pe. Enzo Fortunato, do Sagrado Convento de São Francisco de Assis –, diríamos que há uma pobreza existencial, na maneira de ser, em que o homem quer despojar-se do seu subjetivismo, da sua arrogância, para entrar em diálogo com tudo o que o rodeia." A pobreza deve ser vivida, segundo o Pe. Enzo, "na essencialidade e na simplicidade, na essencialidade das coisas e na simplicidade do viver. Pobreza – continua o franciscano – significa amar as pessoas e usar as coisas, e não usar as pessoas e amar as coisas".

"Francisco de Assis – comentou, por sua vez, o Pe. Pietro Messa, diretor da Escola Superior de Estudos Medievais e Franciscanos da Pontifícia Universidade Antonianum – morreu em 4 outubro de 1226 e foi canonizado em julho de 1228. A partir daquele momento, foi chamado de santo e sua vida é contada a partir da perspectiva da santidade, ou seja, em um estilo hagiográfico que tende a destacar a vida virtuosa, incluindo a pobreza. Então, é preciso distinguir o que diz o irmão Francisco de Assis, por exemplo, em seus escritos, e o que dizem os biógrafos posteriores, algumas tendendo a exaltar o aspecto da pobreza, como o famoso 'Sacrum commercium', que conta a história de uma aliança esponsal entre santo e a pobreza. Quando Francisco, em seu testamento, resume sua vida – continuou –, a pobreza é um aspecto ausente, enquanto é central a misericórdia com os leprosos."

Como este ideal de pobreza de São Francisco poderia ser vivido na sociedade de hoje? "Na partilha dos bens – responde o Pe. Enzo Fortunato –, no saber dividir com os necessitados, com os indigentes. Este é o primeiro aspecto, e talvez mais importante: partilha e solidariedade. E depois a justiça, ou seja, ser homens e mulheres que amam a justiça." E nas escolhas concretas? "Nós precisamos ser capazes de renunciar ao supérfluo, a tudo o que torna a vida pesada, para ir ao coração das coisas."

"Mesmo em São Francisco de Assis houve momentos na vida, especialmente nos últimos tempos, depois de várias vicissitudes, em que ele mostra que o centro é a misericórdia – contou o Pe. Pietro Messa. Por exemplo, em um determinado momento, convida os irmãos a não criticar aqueles que vivem em roupas finas – o que mostra que ele percebeu que a pobreza, quando se torna uma ideologia, pode destruir a caridade. Este apelo à misericórdia, que inclui a pregação do Evangelho como fonte de salvação, significa deixar-se modelar sempre mais pelo amor de Jesus, que ensina a cuidar do outro não somente quando ele é pobre. Sobre isso, podemos lembrar da Madre Teresa de Calcutá, que, impelida pelo amor eucarístico, tinha um olhar de compaixão não só para com os mais pobres dos pobres, mas também para com pessoas como a Lady Diana. Se o amor fosse só pelos pobres, no momento em que a pessoa fica rica, ele acabaria; mas, se amamos a pessoa concreta, o olhar de benevolência envolve toda a existência."

https://pt.aleteia.org/2013/03/25/franciscanos-como-viver-a-pobreza-hoje/