sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A SEDE DE DEUS VIVO

“Senhor, Tu és o meu Deus, há muito que te procuro com grande ansiedade. Como a terra seca do sertão à espera da chuva, todo o meu ser anseia por Ti, Senhor”. (Sl.62) Conto oriental Certo dia, um discípulo foi ter com o Mestre e lhe disse: - Mestre, quero encontrar a Deus! O Mestre olhou o jovem discípulo, limitou-se a sorrir, sem nada dizer. O discípulo vinha diariamente procurar o Mestre, e repetia-lhe sempre as mesmas palavras. Dizia que estava em busca de Deus e que queria dedicar-se à religião. O Mestre, porém, não lhe dava atenção. Sabia o que convinha fazer. Num dia em que o calor era muito intenso, o Mestre pediu ao discípulo que o acompanhasse até o rio, próximo dali, para, juntos, atravessá-lo a nado. Lá chegando, o discípulo lançou-se à água. O Mestre o acompanhou. Quando estavam em meio à corrente, o Mestre, subitamente, agarrou o discípulo pela cabeça, afundou-o na água e o segurou lá embaixo, enquanto o pobre coitado procurava, desesperadamente, libertar-se e respirar. Quando o discípulo estava a ponto de morrer afogado, o Mestre, então, largou-o e perguntou-lhe: - Do que é que você mais desejava quando eu segurava sua cabeça debaixo d’àgua? - De ar – respondeu o discípulo. O Mestre continuou: - Será que neste instante você tem tanto desejo de Deus quanto tinha de ar debaixo d’àgua? E se O desejar tanto assim, encontra-LO-á no mesmo instante. Se, porém, você não tem tal desejo e tal sede de encontrar a Deus, é melhor que lute com toda sua inteligência, com todo seu coração, com seus lábios; do contrário, não O encontrará. Sem esta sede de Deus, você faria melhor continuar ateu. Porque um ateu pode, muitas vezes, ser sincero, ao passo que você não é. Preparar o coração * O ser humano é um ser insaciável, insatisfeito... vive eternamente buscando, sem saber o quê. Em conta- to com este “poço infinito” (seu interior), sente a necessidade de preenchê-lo a qualquer preço; na maioria das vezes, preenche-o com “coisas”: busca de poder, posses, prestígio... e sente-se frustrado, porque nada lhe satisfaz. * Na realidade, o único que pode saciá-lo é o encontro consigo mesmo e com Deus, no seu interior. É na dimensão mais profunda, no seu “coração”, que o ser humano é divino. Por isso, é lá e somente lá que a pessoa encontra-se a si mesma, a sua identidade pessoal. * Só o Senhor e Criador, de quem recebe gratuitamente o sopro da vida, pode preencher seu interior. * Portanto, o caminho da vida é para dentro; feliz quem encontra o caminho do coração. É no coração que está a fonte, a origem e o mistério do ser humano. * A verdadeira grandeza é como o poço: quanto mais profunda, menos ruído faz.
Repita em seu coração - “Como o animal sedento à procura das águas correntes, assim também eu estou à tua procura, ó meu Deus! Tenho sede de Deus, do Deus vivo. Quando é que poderei estar face a face com Ele?” (Sl. 42,2-3). - “Beba a água de sua cisterna, a água que jorra do seu poço. Não derrame pela rua a água de sua fonte, nem pelas praças a água dos seus riachos. Seja bendita a sua fonte...” (Prov. 5,15-18). - “Não busqueis água em cisternas fendidas, que não retém a água” (Jer. 2,13). - “... a quem tem sede eu darei gratuitamente da fonte de água viva” (Apc. 21,6). - “Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e o nosso coração está inquieto até que não descanse em Ti” - “Mas a fome de Deus que eu levo comigo não conhece descanso: ela é exigente! Então eu sigo... Ela é tremenda e persistente! Então eu sigo... cada vez mais para frente! Ela é constante e forte! Então eu sigo... Até à morte” (C. de M. Doherty). Na oração * repetir e “saborear” (várias vezes) as frases anteriores, saciando sua sede de Deus; * deixe-se conduzir pela “fome e sede” de Deus que está enraizada em seu coração; * faça o possível para estimular esta sede, entregando-se a ela; * esteja certo de que esta “inquietação” tem sua resposta no Amor de Deus, presente na Criação; “O Amor de Deus brilha em mim como os raios do sol... Do mesmo modo que vejo o sol em seus , raios, Deus se derrama em todas as dádivas que despeja em mim” (S. Inácio de Loyola). 

FONTE: CEI-JESUÍTAS - Centro de Espiritualidade Inaciana Rua Bambina, 115 - Botafogo – RJ – 22251-050 secretaria@ceijesuitas.org.br / www.ceijesuitas.org.br

O discípulo que queria conhecer Deus

Certo dia, num dos momentos de maior fervor de alma, um discípulo abeirou-se do seu mestre para lhe manifestar o seu interesse em conhecer e encontrar Deus. Considerando o discípulo ainda muito imaturo e superficial, o mestre não respondeu palavra alguma ao seu pedido.
Um dia foram tomar banho ao rio. Quando o discípulo estava mais distraido, o mestre agarrou-lhe pelo pescoço e mergulhou, durante um bom bocado, a sua cabeça debaixo de água. Depois, deixou-o vir à superfície e perguntou-lhe: De que sentiste mais necessidade quando estavas debaixo da água?

- De ar, mestre, quase ia morrendo afogado! - respondeu o discípulo.

- Pois enquanto não sentires assim necessidade de Deus, todas as tuas perguntas e procuras a
respeito d'Ele serão inúteis - respondeu o mestre.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A paz

É mais fácil estar no ódio do que na bondade. Somente os fortes - fortes pela grça do Senhor - podem manter-se verdadeiramente na bondade. é curioso como os poderosos da terra temem a bondade. E u não digo que a doçura, a bondade, a mansidão tudo consigam, mas parece-me evidente que não se pode obter pela violência o que se pode conseguir pela doçura, bondade e mansidão. 
Dom Helder Camara

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Conviva saudavelmente com as pessoas

Mesmo que goste muito de alguém, evite o contato excessivo. Por mais amizade que alguém possa lhe demonstrar, para conservar o relacionamento é preciso haver o respeito pela privacidade da pessoas. Todos têm necessidade também de estar a sós. Respeite o espaço dos amigos para que você não se torne cansativo. Da mesma maneira que se deve saber a honra de chegar, deve-se também perceber a hora de partir. Agindo assim, sua chegada será aceita com alegria e prazer e os amigos sentirão o quanto você é importante para eles. 
Iran Ibrahim Jacob

Oração a Nossa Senhora, rainha dos enfermos

Nós vos damos graças, Deus bondoso, fonte de saúde e de energia, Criador de um mundo bom, que nós fizemos adoecer. Graças a Vós, Deus Filho, restaurador da natureza decaída. Na cruz a força de regeneração foi recobrada. Graças a Vós, pois vossa feridas nos curaram e reconciliaram. Graças a Vós, Espirito de vida, morador deste templo que é o corpo do ser humano, que vosso alento anima. Vós criastes Maria com vossa sombra, cingistes sua cintura de divina beleza, e ela ficou habilitada como o fiel canal que nos traz a saúde de Deus. Graças, Senhor, por a terdes nomeado esperança e saúde dos enfermos. Amém. 
Padre Antônio Francisco Bohn

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Evite conviver no meio de pessoas negativas


Procure quem possa acrescentar algo de bom para o seu crescimento e amadurecimento. Evite as pessoas fúteis, mentirosas, vaidosas e fofoqueiras. Elas depreciam sua imagem. Conviva com pessoas saudáveis positivas e que possam ensinar algo de bom a você. As conversas fúteis não levam a nada e você estará perdendo um tempo valioso e irrecuperável. Evite os falsos amigos e dê muito valor aos que o prezam. 
Iran Ibrahim Jacob.

A serenidade

FAZER A VIDA AMÁVEL
Uma virtude amável
Todos nós conhecemos pessoas profundamente serenas, portadoras de paz, que somente com a sua presença comunicam tranquilidade e bem-estar a todos os que as cercam. Basta elas aparecerem para que, nos corações, brotem espontaneamente a paz e o sorriso, e as preocupações fiquem para trás.
Que contraste com aquelas outras pessoas que andam inquietas, angustiadas, agitadas e, por isso mesmo, intranquilizam os outros com suas apreensões e receios.
─ Talvez, lendo isso, você pense: – Como é bom ser calmo!
─ Certamente é ótimo ser calmo; mas – como veremos a seguir – ser sereno é muito melhor.
O coração calmo
Calma é a pessoa que sabe colocar a reflexão tranquila acima da imaginação agitada;  que sabe refletir, meditar, e não deixa extravasar à toa as suas preocupações. Para sermos assim calmos precisamos de equilíbrio psicológico, visão ampla, prudência e sensatez.
Para sermos serenos precisamos, além disso, de fé. Meditaremos sobre isso na próxima seção deste capítulo.
Calma, equilíbrio, sensatez…, acabamos de dizer. Todos – crentes ou não – temos necessidade dessas virtudes, pois o maior gerador de ansiedade – mais do que os problemas e incertezas da vida – é a nossa imaginação descontrolada. Se a deixarmos à solta, vai povoar a nossa cabeça de nuvens ameaçadoras, de «cruzes imaginárias que nos oprimem com o seu peso… São fantasmas forjados na tua cabeça, fantasmas que a fantasia reveste de cores vivas, atribuindo-lhes mãos largas e temerosas e pernas ágeis e velozes… Uma montanha que, na realidade, é um grão de areia»[1].
Um dos melhores remédios contra essa obsessão inquieta costuma ser a sinceridade. Não se trata de comunicarmos logo as nossas apreensões a pessoas que vão ficar angustiadas e não ajudarão; mas de abrir-nos com um confessor ou orientador espiritual,  ou com outra pessoa madura e preparada, que nos possa ajudar a ponderar as coisas de modo equilibrado.
Outro fator de calma interior costuma ser a ordem (nos horários do dia, nos planos de trabalho e de  piedade, etc). Se não tivermos ordem, a preocupação com as coisas pendentes, a nebulosa das “mil coisas que teria que fazer, que vou esquecer, que não vou ter tempo de realizar”, etc, será uma fonte de ansiedade inevitável, de perda de tempo e de ineficácia. A desordem tira-nos a paz e leva-nos a contagiar a nossa afobação aos demais.
No texto que citava acima, o autor acrescenta que «um pequeno gesto da tua vida de fé seria suficiente para fazer desaparecer os fantasmas». Esse pensamento nos introduz já no tema da serenidade.
O coração sereno
Um coração sereno tem fé. Um cristão sereno mantém a paz mesmo que haja na vida nuvens e tormentas, problemas graves e humanamente insolúveis, que a reflexão, por mais sensata que seja, não consegue entender nem equacionar. Qual é o segredo?
O segredo consiste em que a serenidade, mais do que um modo de reagir, é um modo de ver. É sereno quem consegue contemplar a vida sob a luz de Deus ou, como dizia Michel Quoist, «esposando o olhar divino, a visão divina de nós mesmos, dos outros, das coisas, da humanidade, da história, do universo, do próprio Deus »[2].
É significativo verificar que Jesus não só aconselha, mas nos manda que sejamos serenos. É lógico perguntar-nos como é possível que nos ordene uma coisa que parece fora do nosso domínio? A resposta é porque é Ele próprio quem nos abre o caminho da paz (Lc 1,79): com a certeza inabalável de que Deus é o nosso Pai e de que está sempre junto de nós cuidando da nossa vida a toda hora, com solicitude amorosa:Não se vendem dois passarinhos por um vintém? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade do vosso Pai. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Vós valeis bem mais do que os pássaros (Mt 10,28-31).
 No Discurso da Montanha, Cristo repisa:  Não vos inquieteis, não vos aflijais, não vos preocupeis com o dia de amanhã (cf. Mt, 6,25-34). Três verbos portugueses (inquietar, afligir, preocupar) que traduzem um único verbo grego (merimnein) repetido por Jesus nesse trecho do discurso e que, no original, significa ficar inquieto. Jesus não censura a “preocupação” natural e positiva de prever, preparar, programar aquilo que depende de nós. Fala de outra coisa. Diz-nos que um filho de Deus não deve perder a paz, nem mesmo diante das “preocupações” mais assustadoras e os apertos mais prementes.
A razão que dá é clara para quem tem fé. Temos que ficar em paz, porque vosso Pai vê, vosso Pai sabe (cf. Mt 6,26.32): Ele é um Pai que nos ama infinitamente (Jn 16,27), e que, com a solicitude da sua Providência, faz concorrer todas as coisas – mesmo as que nos parecem mais horríveis – para o bem daqueles que o amam (Rm 8,28).
A fé dos filhos de Deus
O cristão que tem essa fé (a fé que todos deveríamos pedir ao Senhor), mantém a serenidade – ou a recupera, se a perdeu – porque possui uma confiança absoluta no que Deus quer ou permite para nós. A sua oração de fé é esta: «Senhor, o que Tu quiseres eu o amo» (Caminho, n. 773).
Repitamos com segurança “Deus é meu Pai”, e não fiquemos “cozinhando” as nossas preocupações na câmara fechada da imaginação, falando só conosco num monólogo asfixiante. « Nós, filhos de Deus, falamos com nosso Pai que está nos Céus» (Caminho, n. 115); e não nos esquecemos em momento algum de que “Ele vê, Ele sabe, Ele me ama”.
Mal uma preocupação começar a inquietar-nos, imitemos Nossa Senhora que, quando não entendia acontecimentos dolorosos (dar a luz num estábulo, não achar o Menino depois de três dias de busca, etc.), ficava guardando, ponderando essas coisas dentro do seu coração, em confidência íntima com Deus (cf. Lc 2,19 e 51). Como no dia da Anunciação, a Virgem repetia então: Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).  E experimentava que «a aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz: a felicidade na Cruz» (Caminho, n. 758).
Esse abandono nas mãos de Deus nada tem a ver com a passividade fatalista e triste de quem nada faz e fica só esperando que Deus lhe dê tudo feito. Pelo contrário  –por ser um grande ato de confiança em Deus –, leva a vencer o desânimo, aconteça o que acontecer, a expelir o pessimismo, e impele-nos a trabalhar mais do que nunca, a lutar com energia, a perseverar heroicamente no esforço – apoiado na oração – por realizar a missão que Deus nos confia na vida.
Vejamos um belo exemplo disso. Em 27 de setembro de 2014, foi beatificado o primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá à frente do Opus Dei, o Bem-aventurado Álvaro del Portillo. No Decreto da Santa Sé sobre a qualidade das suas virtudes, lê-se: «Era um homem de profunda bondade e afabilidade, que transmitia paz e serenidade às almas. Ninguém se lembra de algum gesto seu pouco amável, de um movimento de impaciência perante as contrariedades, de uma palavra de crítica ou de reclamação por alguma dificuldade».
Ao mesmo tempo, os que o conheceram de perto testemunham unanimemente a sua coragem para enfrentar dificuldades; a sua fortaleza em face das perseguições em tempos de guerra e das incompreensões em tempos de paz; a sua incrível capacidade de trabalho; a audácia com que se lançava a iniciativas magnânimas; a impressionante fecundidade de suas realizações intelectuais, pastorais e administrativas e dos seus escritos e publicações – coisas todas que só se podem explicar por um quilate excepcional de fé e de amor a Deus.
Praticava o que pregava: «Se todos nós – dizia numa homilia – soubermos ponderar, amar, abraçar-nos à Vontade de Deus, experimentaremos o sabor incomparável der estar com a Trindade, mesmo nos momentos mais duros … A paz resulta da união com Deus em todos os nossos pensamentos, palavras e ações» (Beato Álvaro, Homilia14/02/1992 e Carta 01/10/1989)).
Se – como aconteceu na vida dos santos – procurarmos viver da fé e do amor de Deus, nunca estaremos sós nem desistiremos de nada bom. Nunca nos afundaremos nem desanimaremos os demais. Haja o que houver, repousaremos no Coração de Cristo e nos reconfortaremos, com nova vitalidade, nos braços maternos da Virgem Maria.
Mesmo que não consigamos compreender as contrariedades e sofrimentos, nos abandonaremos com confiança, e trabalharemos mais do que nunca com um sorriso nos lábios. Teremos paz e daremos paz. Seremos como o Beato Álvaro, que conseguia fazer num dia o que outros fariam em três dias, e «nunca deixava de ter um sorriso franco, cheio de carinho, que efetivamente comunicava paz e alegria»[3] a todos os que estavam com ele ou colaboravam com ele.


[1] Cf. Salvatore Canals, Reflexões espirituais, Ed. Quadrante, s/d, p. 103
[2] Michel Quoist, Réussir, Les Éditions Ouvrières, Paris, 1961, pág. 201
[3] Cf. Javier Medina Bayo, Álvaro del Portillo – Un hombre fiel, Ed. Rialp, Madrid 2012, p. 197; e Novena da serenidade ao Bem-aventurado Álvaro del Portillo, em www.alvarodelportillo.org